Enquanto a Praia de Copacabana se transformava em um mar de pessoas para receber o aguardado show da cantora Shakira, um dos principais nomes da política fluminense seguiu por outro caminho. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, optou por uma agenda estratégica no interior do estado, evidenciando movimentos típicos de pré-campanha eleitoral.

No sábado, 2 de maio de 2026, enquanto milhões de pessoas acompanhavam o espetáculo gratuito na capital, Paes percorreu cidades da Região dos Lagos, como Arraial do Cabo, Araruama e Iguaba Grande. A agenda foi encerrada em Armação dos Búzios, onde o político participou de um festival de jazz, em um ambiente mais restrito e voltado à valorização cultural.

A decisão de não comparecer ao megashow na capital não passou despercebida. O evento em Copacabana reuniu cerca de 2 milhões de pessoas, consolidando-se como um dos maiores espetáculos musicais do país e reforçando o potencial turístico do Rio de Janeiro. Ainda assim, a ausência de Paes no local indica uma escolha calculada: evitar disputar protagonismo em um evento já amplamente consolidado e direcionar esforços para regiões estratégicas do estado.

A passagem pelas cidades do interior revela uma clara tentativa de ampliar sua base eleitoral fora da capital fluminense. Em disputas estaduais, o peso político dessas regiões é decisivo, e a presença física de lideranças costuma ter impacto direto na construção de alianças e no fortalecimento de apoios locais.

O encerramento da agenda em um festival de jazz também carrega simbolismo. Ao prestigiar um evento cultural regional, Paes reforça o discurso de valorização do interior e da economia criativa, destacando o papel desses eventos na movimentação do turismo e no desenvolvimento local, especialmente fora da alta temporada.

Nas redes sociais, o ex-prefeito adotou um tom descontraído ao comentar sua ausência no show de Shakira. Em tom irônico, afirmou que a cantora “deveria estar triste” por não contar com sua presença, acrescentando que estava sendo bem representado na capital. A estratégia de comunicação buscou equilibrar leveza e posicionamento, mantendo visibilidade mesmo fora do principal palco do dia.

O contraste entre os dois cenários — o espetáculo de alcance internacional em Copacabana e o evento cultural em Búzios — evidencia mais do que uma simples divergência de agenda. Trata-se de uma construção política que combina presença territorial, segmentação de público e fortalecimento de imagem.

Com o cenário eleitoral de 2026 ganhando forma, movimentos como esse indicam que a corrida pelo governo do Rio de Janeiro já começou, ainda que longe dos maiores holofotes.

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JORNAL BÚZIOS